Um Ano de Vendendo Peixe

Categoria: Retrospectiva, Vendendo Peixe

 

Comemorando exatamente um ano do Vendendo Peixe, inserimos este post para lembrar. Aproveitamos para dizer que temos muita vontade de fazer algo parecido novamente – em algum lugar com as mesmas características que o terceiro andar do Mercado Novo possuía até então.

Só esperar A Zica sair…

 


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Queremos Mais Mercado

Categoria: Retrospectiva, Vendendo Peixe

Mercado Novo pós Vendendo Peixe

Conversas aqui e ali, tenho ouvido o que têm a dizer os participantes do Vendendo Peixe. A opinião geral, muito positiva, pede mais. E nós também. No espaço permanecem os stickers e os graffitis, e nas vezes que voltei ao Mercado Novo senti um lugar vivo que também pede mais. Nunca deixo de percorrer todos os corredores e olhar tudo de novo. E aquele pensamento volta de novo também, que aquele lugar é ideal para ser um espaço de produção artística, de troca de objetos e de ideias, um espaço de criatividade e intervenção, não excludente, desinstitucionalizado e  autônomo.

Como conseguir isso é o nosso novo desafio e não será tarefa fácil. Mas é grande o desejo de todos de tirar aquele terceiro piso de um futuro incerto onde se avistam horrores como parques de estacionamento, shoppings e outras perversões do “progresso”. Aliás pode-se sentir a incerteza do futuro daquela região, bem perto do Mercado Novo, na praça 1 de Maio, nas palavras de uma feirante do mercadinho do comboio do trabalhador do Sacolão ABC, que está prestes a ser erradicado pela prefeitura. O poder público achou mais importante fazer uma praça, tudo uma questão de “enobrecimento” da região, palavrinha derivada de nobre e nobreza, o eterno inimigo do povo, como sabem os feirantes que ainda não têm para onde ir, e os clientes que por lá compram porque é muito mais barato.

Assiste-se a uma modificação acelerada da cidade um pouco por todo o lado. O processo é assimilado pela população como necessário para a realização da Copa 2014. Assim, comunidades inteiras são despejadas, regula-se e limita-se o uso do espaço público e aumenta-se a estrutura rodoviária favorecendo o transporte privado e poluente. São políticas públicas pensadas por cabeças menos criativas do que participaram do Vendendo Peixe, e enquadradas nas exigências dos senhores da FIFA. Dá medo pensar o que mais eles preparam para o centro de BH. Salve-se nesta cidade quem e o que se puder!

Queremos fazer no Mercado Novo uma alternativa a esse conceito de progresso supostamente enobrecido. Temos na pauta o próximo Vendendo Peixe obviamente, e também atividades paralelas relativas ao funcionamento de um espaço alternativo para realização de trocarias e permutarias no local. Além da possibilidade de um outro grande evento no próximo ano. Assim, pensamos noutras formas de ir ocupando o Mercado Novo enquanto resolvemos problemas de infra-estrutura no terceiro piso, exigências legais para que fiquemos protegidos na realização de nossos eventos.

O primeiro passo é pôr mãos à obra e iniciar a reforma do banheiro. Temos o apoio do superintendente do mercado, que ofereceu a mão de obra. O material não é muito, mas é caro. Felizmente somos muitas cabeças para pensar formas de angariar fundos: mais eventos, zines, doações. E por cabeças entendemos as nossas e as de vocês, que participaram e como nós se apaixonaram com o lugar. Aceitamos sugestões e ajuda! Colaborando a gente pode conquistar o espaço. Fica aqui o convite a todos.

por Manu Tenreiro

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Vendendo Peixe – Repercussão

Categoria: Retrospectiva

Pessoal, aos poucos iremos colocar fotos e vídeos do que rolou no Vendendo Peixe aqui. Por enquanto, fiquem com os vídeos produzidos antes e durante o evento que já recebemos.

Reportagem exibida na última quarta-feira no programa Agenda, da Rede Minas:

Sexta-feira, 17 de setembro de 2010, Mercado Novo um dia antes do Vendendo Peixe, por Gustavo Amaral:

“A proposta era reunir pessoas dispostas a produzir e/ou apreciar arte com total liberdade de produção. Mais detalhes você confere no vídeo a seguir”, feito pelo pessoal do site Binóculo:

Binóculo 03 – Vendendo Peixe from Binóculo on Vimeo.

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Agradecimento sem título

Categoria: Retrospectiva, Vendendo Peixe

Enfim, o peixe foi pescado. Depois de alguns meses com uma equipe cheia de vontade planejando a venda de algo imaterial num lugar esmo, o lucro foi enorme – e nada financeiro. Nisso, o mais importante foi que algo mudou o terceiro andar do Mercado Novo. Não que estivéssemos querendo fazer um evento simplesmente baladeiro, com as 300 pessoas mais legais de Belo Horizonte. Mas que deixasse sua presença marcada em quem esteve presente  pela pancada – e a proposta era ser uma experiência nova que com todos os seus percalços, acabou se realizando muito bem.

O tipo de convocatória utilizado num evento como Vacas Magras teve sua amplificação potencializada de modo profundo – e dessa vez, ao mesmo tempo que acabou dando muito certo, o vandalismo gratuito também apresentou que pode  atrapalhar. De toda forma, sem querer ser tilelê, dava pra sentir uma vibração diferente no ar. Quem estava na produção não teve tempo pra ver o que rolava de perto, a todo momento alguma coisinha pra resolver e tudo foi improvisando até dar certo.

De longe, muita tinta e sons dos mais diversos escorriam por um espaço monumental. Gente ia chegando até dar uma sensação que não estava vazio – o que não é fácil por ali. O cinema, com sua programação múltipla sobre cidade e intervenção urbana não chegou a lotar, mas foi uma área lounge pra botar a cabeça pra pensar e descansar o corpo numa área de ação.

A cerveja terminou algumas vezes, até se esgotar totalmente. Quem queria se embebedar, só por um trago de Pratiana, que salvou muita gente. Havia certa apreensão do vandalismo chegar aos azulejos, o que quase aconteceu, mas a intenção de levar gente que não costuma ir ao Mercado Novo ao terceiro andar foi plenamente preenchida.

Mesmo com pequenas zicas pelo caminho, foi uma das tardes mais sensacionais que vi num evento, onde rolou diálogo, interação e criatividade plural, nem que fosse de gosto duvidoso, tudo combinou. Pena ter ocorrido como foi quanto à delibaração do condomínio limitando o horário de adentrar ao prédio apenas até as 16 horas. Muito triste ver aquelas pessoas que foram até lá  e ficaram de fora, pois nem tudo foram flores.  Mas digo, por favor retornem ao terceiro andar do Mercado Novo para pegar uma sensação boa do que aconteceu naquela tarde. Eu vou.

Câmbio, desligo.

por João Perdigão

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Aviso aos navegantes: horário de entrada

Categoria: Vendendo Peixe

Pessoal,

para atender a um pedido da administração do Mercado Novo, uma vez que habitualmente o mercado fecha às 16h nos sábados, só será permitida a entrada para o Vendendo Peixe até esse horário.

O evento continuará sendo realizado até as 18h, como foi divulgado. Pedimos a compreensão de todos, e fica o convite para saírem mais cedo de casa, até porque o dia promete!

Não perca o final do Vendendo Peixe e os shows das bandas Vostok Deluxe e Grupo Porco de Grindcore Interpretativo.

Garantimos que vai valer a pena!

Urubois

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Programação Musical

Categoria: Atrações, Vendendo Peixe

Confira abaixo os horários em que as bandas sobem ao palco do Vendendo Peixe:

10h > Sala de Viola Vicente Machado

11h > Apto2Quartos

12h > Intervalo

13h > Samba de Terreiro

14h > Água de Cachorro

14h30 > Casper Roots

15h > RAM

16h > Vostok Deluxe

17h > Grupo Porco de Grindcore Interpretativo

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Graffiti Research Lab Brasil no Vendendo Peixe

Categoria: Atrações, Vendendo Peixe

No Vendendo Peixe amanhã, o pessoal do Graffiti Research Lab Brasil vai apresentar o mais novo software para laser tag tridimensional da praça. Ainda inédito no Brasil, os feixes de imagem interagem com o som e o efeito tridimensional é reforçado com o uso de óculos 3D.

Aqui um vídeo recente do representante do GRL na gringa – ignorem quando aparece um tiozinho estilo Steve Jobs…

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Samba de Terreiro

Categoria: Atrações, Vendendo Peixe

Os especialistas do blog Ocê no Samba apresentam o Samba de Terreiro, uma das atrações musicais do Vendendo Peixe.

“Sábado é dia de ir ao mercado. E ponto! Alguns hão de argumentar que o mercado central é convidativo aos domingos, mas neste fim-de-semana nós não admitimos discussão. Aliás, ainda completamos a informação: sábado é dia de ir visitar o Mercado Novo de Belo Horizonte. Para alguns o local pode até parecer mais um armazém quase abandonado do que um ponto de encontro de fim-de-semana, mas não neste dia 18 de setembro. Um bando de mentes criativas conseguiu enxergar potencial por entre cobogós daquele tradicional edifício do centro da cidade e vão fazer deste sábado um dia bastante animado no mercado novo, como há muito não se via, com o evento “Vendendo Peixe”. E melhor: com direito a samba.

O “Vendendo Peixe” é uma iniciativa inovadora em Belo Horizonte. Não só pelo evento em si, mas também por abrir espaços para as surpresas, para o inesperado. O evento vai transformar o terceiro andar do Mercado Novo em um espaço de construção criativa no qual vão se apresentar artistas plásticos, grafiteiros, músicos, fotógrafos, artistas digitais convidados e qualquer pessoa que se interesse em desfilar seu talento. Em outras palavras, qualquer um que estiver à procura de uma vitrine para seus dotes artísticos poderá vender seu peixe no mercado, neste sábado. Algumas atrações estão agendadas, mas como os próprios organizadores alertam, “por ser aberto, o que acontecerá no Vendendo Peixe é imprevisível e sua essência está justamente no acaso desses encontros”.

CobogósSol que entra pelos cobogós vai dar o charme do “Vendendo Peixe”, neste sábado. Crédito: Guilherme Cunha.

Samba – Quem é do samba sabe que os batuques mais gostosos nascem da espontaneidade, sem muito ensaio, portanto não poderia faltar uma atração bamba em um evento como esse. E quem abre a roda do samba no “Vendendo Peixe” é justamente um pessoal que se apresenta de vez em quando no próprio Mercado Novo. O grupo “Samba de Terreiro” vai contribuir com sua mistura bem ajambrada de ritmos originados da cultura negra, desfilados por um grupo que tem sua base na percussão. “Samba de senzala, samba caipira, batuque, samba de velho, samba de roda ou samba cabloco. São alguns dos ritmos que vamos tocar no sábado. Vamos mandar canções que já caíram no domínio público”, explica Fabiano Camilo, um dos componentes do grupo.

Formado por Fabiano, Negaozão, Léo Alabê, Tico e Carlinhos Cumpadre, o Samba de Terreiro é um grupo que se dedica a pesquisa de ritmos e a resgatar sambas que fazem bem a alma, mas nem sempre chegam a muitos ouvidos. Atualmente, o grupo conta com instrumentos como o caxambu, o atabaque, a tumbadora, o surdo e o trompete, mas já pensando em valorizar cada vez mais o que samba mais cabloco, Fabiano já pensa em introduzir, em breve, a viola caipira. “Eu sou muito perfeccionista. Estou estudando e quando estiver bem arrumado eu entro com a viola”.

Samba de TerreiroRitmo do Samba de Terreiro convida o público a dançar. Crédito: MySpace do Samba de Terreiro

No sábado, o Samba de Terreiro vai se apresentar às 13h, já que o Mercado Novo terá várias outras atrações, mas durante a apresentação o pessoal já pensa em momentos especiais. A apresentação vai começar com um ritmo chamado Avamunha, comum nos terreiros de candomblé, para garantir a energia de ativação do samba. “É um ritmo para chamar as energias, para acender o fogo do pessoal”, diz Fabiano, que ainda resalta que o nome do grupo veio justamente do seu contato com terreiros de candomblé e congado.

O samba, contudo, é apenas uma das atrações do “Vendendo Peixe”. O Mercado Novo vai receber vários músicos, de vários gêneros musicais, além de grafiteiros, artistas plástico e o melhor de todos: o inesperado. Afinal, o evento é aberto a quem quiser participar, então nunca se sabe quem pode aparecer para dar um show. Quem sabe um outro sambista não aparece para um partido alto ou um pintor não surge para captar o momento? Ou mesmo você… Qual seu talento? Qual peixe você tem para vender?”

Este post foi originalmente publicado no blog Ocê no Samba.

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La Boquinha em cartaz no Mercado

Categoria: Atrações, Vendendo Peixe

O La Boquinha é filho do La Boca, cinema de rua que funcionou de 1997 até 2004 no Barro Preto. Herdou das duas salas as cadeiras e, com seu espírito itinerante, como faz bem a um jovem, irá ancorar neste sábado no terceiro andar do Mercado Novo – a menos de dez quarteirões do endereço original, na rua Ouro Preto, 103.

Pés nem braços fazem falta ao assento-encosto de couro vermelho, que embala plateias em qualquer lugar onde se instale, Betim, Jambreiro ou centro de Beagá. Quinze dessas cadeiras foram emprestadas pelo La Boquinha especialmente para compor o cinema-lounge do Vendendo Peixe, com o portátil kit tela-projetor-caixa de som-laptop que dá asas aos cineclubes.

Em cartaz, filmes e vídeos de qualquer metragem sobre cidade, arte, ativismo e por aí vai. O “BH Soul” do Tomás Amaral está programado, e o “Notas Flanantes” da Clarissa Campolina também. E mais: “Anuncie Aqui”, do Sem Rosto; “Poro – Intervenções Urbanas e Ações Efêmeras”, realizado pela AIC; “Exit Through the Gift Shop”, do Banksy; “Style Wars” (que conta o surgimento do movimento hip hop em Nova York), vídeos de Paulo Bruscky, Richardson Pantone, Igor Amin, João Maciel, Azucrina! etc…

O La Boquinha é destaque na programação, com um trabalho inédito de seu braço realizador, a produtora IT Filmes. A cineasta Elizabete Martins Campos e a produtora Tatiana Tonucci também vão passar o trailer de “Elza Soares – A Voz do Brasil”, que está em produção, e ainda estão planejando interações de vídeo e grafite.

Como o Vendendo Peixe, o La Boquinha tem classificação livre!

Por Débora Fantini

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Quase meio século de Mercado Novo

Categoria: Retrospectiva

É uma história apagada a do Mercado Novo. Sempre que pergunto a alguém: “conhece?” , respondem “Mercado Central?”. “Não… Mercado NO-VO… No fundinho da Olegário Maciel, atrás do Central, pertinho da praça Raul Soares!”. Muitos chegam a referí-lo como o velho, pelo fato de seus andares superiores serem ruínas – mas na verdade, eles são inacabados. Mas quem conhece, adora!

Daí, fiz uma busca na web. Tudo vago. Pega-se num dado aqui, busca-se por aí. Outro dadozito sem muita relevância. Tarefa dificil esta de ganhar uma pauta sobre a história do Mercado.

Num link encontro que o Mercado foi inaugurado em 1963. Começaram a construção antes, mas foi no “reinado” do prefeito Carone que ficou semi-pronto esse local pseudo-obscuro de Belo Horizonte. Prefeito Carone esse que dois anos depois, em 1965, ou 1) foi impedido de executar seu cargo dada a depredação das contas do município; ou, 2) foi cassado pela ditadura e então suponho que fosse até um sujeito bacana dado o contexto político da época.

Fui então conversar com o síndico do local, o sr. Antônio Gabriel Castro Filho, vulgo Gringo, que possibilitou a realização do Vendendo Peixe no Mercado Novo e que já tem 30 anos de casa. Simpático, articulou o seu apoio a iniciativas como o Vendendo Peixe, Kaza Vazia e Loja Grátis. E falou da sua intenção para o terceiro andar do Mercado, como um lugar voltado para o artesanato, as artes e mais comércio em vez de indústria.

Mas voltando pra perguntar do passado, sabe-se pouco. Antes do prédio ser construído, ali era o terminal dos bondes que noutra época atravessavam a cidade, mas que nos anos 60 entraram em declínio. Depois o lugar ficou ao deus-dará uns dez anos, porque a Construtora Sobrado, que fez o Mercado, faliu, nunca terminou o nosso bem-amado terceiro andar, e foi a prefeitura que licitou as lojas que permitiram ao local funcionar de alguma forma. Instalaram-se pequenos negócios, principalmente de atividade industrial, mas não só. E o terceiro piso lá foi ficando para a prefeitura seguinte cuidar – e ainda hoje parece que vai ficar pra seguinte, até chegar às vésperas da Copa do Mundo de 2014 e a região ‘enobrecer’ pra virar mais um comércio pasteurizado do tipo shopping.

O barbeiro sr. Domingos,  é o lojista mais antigo do Mercado. Trabalha no final do corredor ‘S’ do primeiro piso e está no Mercado Novo desde 1969. Uma vida sem grandes sobressaltos. Ali, segundo ele, nunca aconteceu nada. Só um incêndio há uns 4 anos e uma época que tava meio perigoso, pois havia muitos vagabundos pelo mercado.

Assim, a história do Mercado Novo permanece um mistério. E depois de passear um pouco pelos corredores, conversa aqui, conversa ali, acabei de novo no terceiro andar, vazio e inacabado. Sem valor no mercado imobiliário, por enquanto. Mas sem preço para nós, para quem ele é acolhedor e repleto de possibilidades. Um lugar solitário mas pedindo companhia. E cheio de vontade de brincar.

Vamos lá no sábado fazer história?

Manu Tenreiro

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