Quase meio século de Mercado Novo

É uma história apagada a do Mercado Novo. Sempre que pergunto a alguém: “conhece?” , respondem “Mercado Central?”. “Não… Mercado NO-VO… No fundinho da Olegário Maciel, atrás do Central, pertinho da praça Raul Soares!”. Muitos chegam a referí-lo como o velho, pelo fato de seus andares superiores serem ruínas – mas na verdade, eles são inacabados. Mas quem conhece, adora!

Daí, fiz uma busca na web. Tudo vago. Pega-se num dado aqui, busca-se por aí. Outro dadozito sem muita relevância. Tarefa dificil esta de ganhar uma pauta sobre a história do Mercado.

Num link encontro que o Mercado foi inaugurado em 1963. Começaram a construção antes, mas foi no “reinado” do prefeito Carone que ficou semi-pronto esse local pseudo-obscuro de Belo Horizonte. Prefeito Carone esse que dois anos depois, em 1965, ou 1) foi impedido de executar seu cargo dada a depredação das contas do município; ou, 2) foi cassado pela ditadura e então suponho que fosse até um sujeito bacana dado o contexto político da época.

Fui então conversar com o síndico do local, o sr. Antônio Gabriel Castro Filho, vulgo Gringo, que possibilitou a realização do Vendendo Peixe no Mercado Novo e que já tem 30 anos de casa. Simpático, articulou o seu apoio a iniciativas como o Vendendo Peixe, Kaza Vazia e Loja Grátis. E falou da sua intenção para o terceiro andar do Mercado, como um lugar voltado para o artesanato, as artes e mais comércio em vez de indústria.

Mas voltando pra perguntar do passado, sabe-se pouco. Antes do prédio ser construído, ali era o terminal dos bondes que noutra época atravessavam a cidade, mas que nos anos 60 entraram em declínio. Depois o lugar ficou ao deus-dará uns dez anos, porque a Construtora Sobrado, que fez o Mercado, faliu, nunca terminou o nosso bem-amado terceiro andar, e foi a prefeitura que licitou as lojas que permitiram ao local funcionar de alguma forma. Instalaram-se pequenos negócios, principalmente de atividade industrial, mas não só. E o terceiro piso lá foi ficando para a prefeitura seguinte cuidar – e ainda hoje parece que vai ficar pra seguinte, até chegar às vésperas da Copa do Mundo de 2014 e a região ‘enobrecer’ pra virar mais um comércio pasteurizado do tipo shopping.

O barbeiro sr. Domingos,  é o lojista mais antigo do Mercado. Trabalha no final do corredor ‘S’ do primeiro piso e está no Mercado Novo desde 1969. Uma vida sem grandes sobressaltos. Ali, segundo ele, nunca aconteceu nada. Só um incêndio há uns 4 anos e uma época que tava meio perigoso, pois havia muitos vagabundos pelo mercado.

Assim, a história do Mercado Novo permanece um mistério. E depois de passear um pouco pelos corredores, conversa aqui, conversa ali, acabei de novo no terceiro andar, vazio e inacabado. Sem valor no mercado imobiliário, por enquanto. Mas sem preço para nós, para quem ele é acolhedor e repleto de possibilidades. Um lugar solitário mas pedindo companhia. E cheio de vontade de brincar.

Vamos lá no sábado fazer história?

Manu Tenreiro



This entry was posted on Thursday, September 16th, 2010 at 03:50 and is filed under Retrospectiva. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

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