4e25

Categoria: Atrações, Vendendo Peixe

A Peixaria no Vendendo Peixe

edit: o pessoal do coletivo enviou uma nova imagem do que estará sábado no mercado

O coletivo 4e25 nasceu da vontade de seus integrantes de exteriorizar suas ideias, coisas que ocupam a cabeça até ganhar um corpo físico e, por que não, uma aura também. Para isso, abordam na pintura, no design, na música, na literatura etc, a interação de seus integrantes com a cidade, lugar de onde recolhem as suas amostras para então deformá-las.

O grupo, que tem um enigmático trabalho de página dupla no zine A Zica, foi convidado também para participar do Vendendo Peixe, e criou para o evento a série A Peixaria, um total de treze charges de humor negro para quem tem o estômago ácido. Ainda em desenvolvimento, traz a público uma breve amostragem deste trabalho (nesta imagem aí acima).

Para ter mais uma ideia do que vem nesta série inédita, vale conferir, no Flickr do 4e25 alguns cartazes da anterior A Churrascaria – metáfora difícil de engolir sobre o mundo do trabalho (ou crítica ao consumo de carne?)

quatroevinteecinco@gmail.com

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Sala de Viola Vicente Machado

Categoria: Atrações, Vendendo Peixe

Sertanejo autêntico abre a programação musical do Vendendo Peixe


O Mercado Novo é realmente um lugar cheio de boas surpresas. É lá que funciona a Sala de Viola Vicente Machado, onde todos os sábados, a partir das 10 horas, acontece a roda dos violeiros, um grupo que se reúne para tomar uma cerveja, jogar conversa fora e cantar música sertaneja acompanhados pelo som das violas, violões e da sanfona do sanfoneiro Marquezito. Num dos vários passeios que fizemos por lá, surgiu deles mesmo a proposta de começar a fuzarca musical do Vendendo Peixe ao som das violas. Claro, nos sentimos honrados e aceitamos na hora.

Pra quem não conhece, a Sala de Viola Vicente Machado começou com seu fundador, o barbeiro e amante da música sertaneja e caipira, Vicente Machado. Ele possuía no local uma barbearia onde todo fim de semana costumava reunir os amigos para beber e cantarem ao som das violas caipiras, a grande paixão do grupo. Os encontros eram ocasionais e foram ficando cada vez menos esporádicos a partir de 2004, quando passaram a se reunir todos os sábados. Os que frequentam a roda desde o início insistem em afirmar que violeiros famosos nasceram ali. Dentre eles estariam nomes como Fernando Sodré e Renato Andrade. Verdade ou não, o encontro é uma ótima oportunidade para trocar conhecimentos, tocar e cantar, ou apenas ouvir e contemplar a música caipira de raiz.

Pode chegar lá cedo que a pequena sala do 1º andar do Mercado Novo já vai estar cheia de violeiros, senhores que já ostentam seus cabelos grisalhos, mas que recebem muito bem os jovens, na maioria das vezes levados pelos pais, e qualquer transeunte que se interessar pelo som feito ali com muito entusiasmo. Vale lembrar que excepcionalmente no sábado dia 18 o grupo se apresentará no 3º andar, onde acontece o Vendendo Peixe.

O fundador do grupo, Vicente Machado faleceu em março de 2007 e a roda só acontece até hoje pelo amor dos frequentadores que dividem e contribuem com o que podem para quitar o aluguel do espaço. A história e perseverança deste grupo de amigos são de emocionar até aqueles que não gostam do tipo de música que fazem. Independente do gosto musical, perceber nestes senhores o amor incondicional à viola é algo que só é possível cara a cara. Portanto, não deixe de comparecer cedo ao Mercado Novo para já começar o dia com um exemplo de como as coisas, quando feitas com paixão – assim como o Vendendo Peixe – podem ser extremamente prazerosas e duradouras.

Redutos musicais

A Sala de Viola Vicente Machado não é o único reduto musical do Mercado Novo. Nesse “Gigante invisível” incrustado  no centrão de BH, também funcionam lojas especializadas em conserto de instrumentos musicais. Clique no link para ler uma reportagem de 2008 sobre a música que habita o Mercado, assinada pelos jornalistas Diego Mancini, Filipe Nillo e Marco Túlio Ulhôa.

Por Daniel

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A Zica saiu!

Categoria: Atrações, Vendendo Peixe

A Zica saiu. A Zica, urucubaca em forma de revista, é um fanzine cara-de-pau com ilustrações e textos de um tanto de gente. E A Zica tem um tema: morte. Ah, mas morte também tem a ver com macumba, então macumba também é tema da Zica. Mas às vezes dá pra encaixar aí mais alguma coisa, sei lá, um tema político, pra ficar engajado, né? Então bota lá n’A Zica o tema classe média. Aí a Zica é isso: um fanzine sobre morte, macumba e classe média.

Deve ter quase um ano que o povo desse tal de Urubois tava enrolando pra lançar ess’A Zica. Começou com um deles bêbado, anunciando às bravatas, no meio de várias pessoas desconfiadas, que ia lançar um fanzine que reunisse o trabalho de todo mundo que tava ali. Não acreditaram que a promessa fosse cumprida e, de fato, quase não foi. Nos dias seguintes, alguém precisou lembrar o falador da promessa feita e, como promessa não cumprida dá zica, foi preciso começar a fazer A Zica. Alguém sugeriu o tema inicial, morte, e dali agregaram-se os dois outros temas. Daí, quem quisesse colaborar mandava o seu trabalho.

Foram muitas páginas de caderno rabiscadas, muita enrolação, e A Zica tava começando a atormentar a cabeça dos três caras que se propuseram a organizar a Zica (João Perdigão, Luiz Navarro e Marcelo Lustosa). Essa Zica tinha que sair! O programado era o mês de agosto. Mas como agosto é o mês do desgosto, de cachorro louco e dessas coisas zicadas, o tal do zine só saiu em setembro.

E aí a Zica saiu. E traz trabalhos do coletivo 4e25, Alessandro Aued, Bárbara Angelo, Desali, Estandelau, João Maciel, Luiza SchiavoLuiz Navarro, Matuto, Mosh, Paula Bevilacqua, Ricardo Portilho, Thiago Mazza, Toast/Antoine e Xerelll, esse povo de Belo Horizonte, além de Mayroca Estranhoca, de Curitiba. Saiu e vai ser lançada durante o Vendendo Peixe. Passa lá e leva um’A Zica pra casa!

por Luiz Navarro

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Vai ter pescaria, é claro

Categoria: Atrações, Vendendo Peixe

“Por que pescar?

Porque quem não pesca é isca…

quem não pesca é pescado…

quem não pesca, nada…

e quem não nada bóia…

e quem não bóia afoga…

Quem não pesca é peixe…

Fala peixe!

Porque quem não pesca passa de carro todos os dias e não se lembra de que ali existe um rio.

E o rio passa…

Vamos pescar no Vendendo Peixe?”

Quem convida é os conectores, um grupo de artistas daqui de Beagá, também fisgados pela ideia de ligar as pessoas à cidade. No sábado do Vendendo Peixe, eles virão da praia da Estação, trazendo suas varas para um escambo. E vão aproveitar para chamar todos a pescar junto com eles em outubro, no ribeirão Arrudas, outro lugar da cidade que anda tão escondido quanto o terceiro andar do Mercado Novo.

Gostou da proposta dos conectores? Eles se apresentam e vendem eles mesmos seu peixe:

Kel oferece um trocado a motorista na intervenção Moedas

“Os conectores é um coletivo criado, no início de 2009, em Belo Horizonte, por quatro artistas que pesquisam e realizam performances e intervenções urbanas. André Veloso, sound designer, Cris Moreira, atriz, Kel Baster, cineasta, e Rogério Araújo, ator e diretor teatral. O trabalho consiste em criar intervenções urbanas que investigam as relações das pessoas entre si e com o ambiente em que vivem e suas reações em contato com o inesperado e ou com o que possa diretamente afetá-las.

O coletivo tem a preocupação não só com o que será dito, mas também com o modo de se fazer isso, a forma de afetar/atingir o ‘espectador’ e como podemos provocá-lo para que ele tenha uma atitude ativa diante do que vê.

O objeto de estudo dos conectores são as diversas formas de relacionamento que as pessoas constroem dentro de suas áreas de convivências. Todas as relações tendem a se conectar, seja por uma simples entrega de panfleto no sinal de trânsito ou um abraço apertado de um amigo.”

Então vai preparando vara, anzol e isca que a  pescaria com os conectores começa por volta do meio-dia.

Por Débora, com a colaboração dos conectores

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Até Alice caiu no buraco do peixe

Categoria: Vendendo Peixe

Confirmado mais um lançamento oficial nas artes da ilustração durante o Vendendo Peixe. Trata-se do livro Alice no País das Maravilhas, ilustrado pelo designer belorizontino Rafael Resende. Com vários trabalhos nas áreas de música, do esporte, da moda, do editorial, da televisão e do ensino, Rafael dá espaço à experimentação, fugindo do estilo figurativo e combinando a sua arte com técnicas como hachuras e materiais variados, seja acrílico, aquarela ou a sua mais recente paixão: fotografia.

Sobre Alice, um livro já à venda mas nunca lançado, Rafael Resende tem o seguinte a dizer:

“No projeto deste livro, tentei criar as ilustrações assim como Lewis Carroll criava seu texto: permeando o nonsense com coisas que fazem um sentido oculto. Oculto nos dias de hoje, já que quase todas as piadas internas do livro ficaram para trás com o contexto da era vitoriana, e o que sobrou da Alice parece ser apenas uma história meio amalucada. Mas muitas pessoas sabem que a história de Alice no País das Maravilhas não é um mero amontoado de maluquices. Algumas passagens da história têm tanta informação nas entrelinhas que são sempre citadas, seja por físicos, matemáticos, psicólogos ou escritores. É o conhecimento dessa profundidade que mantém a Alice tão viva ainda nos dias de hoje. Não me apropriei da história para usá-la como um pretexto para manifestar meu próprio estilo. Não tentei moldar a história aos meus padrões. Pelo contrário: construí um estilo para tentar representar a história no seu contexto, com respeito. Tentei fazer justiça a tudo que a Alice é. Esse livro é minha reverência ao gênio de Lewis Carroll.”

E assim Alice junta-se ao zine A Zica, cujos lançamentos oficiais, atrasados como o coelho do país das maravilhas, chegam finalmente no Mercado Novo para vender seu peixe.

Manu Tenreiro

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Água de Cachorro – Nessa aí até o peixe nada

Categoria: Atrações, Vendendo Peixe

Mais uma banda de nome curioso a se apresentar no palco do Vendendo Peixe este sábado, dia 18. O nome Água de Cachorro veio de um episódio do desenho animado Ren & Stimpy, chamado “Dog Water” e é uma banda formada pelos amigos belo-horizontinos Doissete e Iuri. A amizade que surgiu na adolescência foi embalada pelas bandas punks de que faziam parte na época e o duo surgiu naturalmente, já que não precisaram “forçar a barra” para manter a existência – desde 2007 tocam e criam músicas juntos.

As influências são variadas. Vão da música brega e sertaneja, passando pelos populares em geral e bandas alternativas. Mas uma coisa é certa no meio disso tudo: as músicas são uma ode à cerveja, aos bares, aos amores, enfim, à boemia. A banda fez apenas um show, digamos “oficial”, na Obra e eu estava presente =D

Ao vivo é muito divertido ver os dois amigos empunharem com desenvoltura seus violões que, segundo eles, “deixa mais à vontade, como se estivessem entre amigos sempre”. Atualmente a banda conta também com o baterista Leo, que é vocalista da banda Skacilds. Agora o grupo está ensaiando com maior periodicidade e visando shows e a gravação de um cd autoral.

Assista abaixo o videoclip da música Immigrant Song, o segundo da banda e dirigido pelo cineasta Sávio Leite e editado por ele e Ana Pessôa em maio de 2010. A música, uma das poucas cantadas em inglês, fala sobre esperança e lugares para dias melhores.

Especialmente para o show no Vendendo Peixe, que acontece às 14h no Mercado Novo, a banda está preparando duas novas versões de uma músicas de uma banda anarcopunk da Espanha e uma um sucesso popular de Pepe Moreno. Dois Sete adianta que “este show vai ser do caralho, porque o local e o público têm muito a ver com a banda”! Legal não?!

http://www.myspace.com/aguadecachorro

Update: Veja trecho do show do Água de Cachorro no Vendendo Peixe, em vídeo de Sávio Leite e Artur B. Senra, mais conhecido como Doissete.

Por Daniel

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Kaza Vazia – MerKado Cheio!

Categoria: Retrospectiva

Foto: Nairza Santana

Imagine uma galeria de arte. Agora imagine uma galeria de arte que perambula pela cidade. Uma galeria de arte itinerante, nômade, inquieta e rebelde. Foge da norma, do museu, da galeria tradicional. Esconde-se e revela-se nos lugares mais inusitados da cidade, sempre buscando uma Kaza Vazia. É isso mesmo, Kaza Vazia – uma galeria de arte itinerante, que desde 2005 se manifesta no espaço urbano, reinventando a curadoria artística tradicional.

O Mercado Novo já abrigou a Kaza Vazia. Em 2008, na sua sétima edição, durante o Verão Arte Contemporânea, o Kaza Vazia encheu o Mercado Novo atuando no terceiro piso, justamente onde o Vendendo Peixe terá lugar. A ação, que também ocorreu no Parque Municipal, foi a primeira que o grupo realizou fora da sua usual ocupação de estruturas abandonadas.

Enfim, um evento que deixou água na boca e vontade de voltar, de ocupar aquele mercado gigante, sólido e acolhedor, e aos poucos ir deixando um rastro de permanência seguir na galeria itinerante. Um desejo ainda bem vivo para uma Kaza Vazia sempre pensando em projetos no Mercado Novo, e que não perde a oportunidade de ali se juntar aos amigos numa tarde de sábado para um evento de arte em ação.

O peixe da Kaza Vazia, a gente compra a ideia!

Manu Tenreiro

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Podem nos chamar de Urubois

Categoria: Vendendo Peixe

Quem faz o Vendendo Peixe

Nas primeiras conversas, a ideia era vender o peixe com anzol e tudo pra fisgar um mecenas (que apareceria de realizador no cartaz) ou um bitelo de um patrocinador com logomarca de quilos… Tudo causo de pescador! Mas o Vendendo Peixe não virou lenda, não. Um dia, João me avisa que iria rolar sim, dia 18 de setembro, coisa de dali a um mês.

Só acreditei mesmo no dia que ele me mostrou o peixe: boiando num esconderijo do Mercado, era gigante sim, todo amarelo, com nadadeiras lilases. Saímos de lá com o contrato de uso do terceiro andar encaminhado e um orçamento mais modesto que os iniciais dois milhares e meio, reduzido a um quinto, se não menos.

Desistimos da ideia de pescar à noite, seria de dia mesmo, das 10h às 18h, em ponto, sem grandes gastos  com supersetrutura. Mas nós ainda teríamos de providenciar um bar, projetores, energia pros equipos de som, banheiros químicos, cartazes…

Éramos nós que teríamos de arcar com isso tudo? Sim, nós, uma turma de amigos que, para facilitar, podemos ser chamados simplificadamente de Urubois.

Urubois é um nome pra ser usado em comum, não necessariamente coletivo de nada, mas um ser mítico do Curral Del Rey, híbrido de ave de rapina com ruminante macho e descendente das fêmeas com pouca carne. Tem um comportamento autônomo e espontâneo na cidade e age sem lei de incentivo nem ambição empresarial.

A primeira realização do Urubois é A Zica, zine com ilustrações e textos feitos por mais de vinte pessoas,  a partir dos temas macumba, morte e classe média. Saiu da gráfica na sexta e vai ser lançada no Vendendo Peixe. Leve cinco dinares pra garantir a sua e, a propósito, vários dos artistas com trampos publicados n’A Zica estarão no Vendendo Peixe, criando ao vivo e em cores!

O Vendendo Peixe é a segunda manifestação do Urubois, que na primeira reunião éramos seis – todos na ativa pela cidade, só que dividindo outros nomes. Três deles, somos também o Mixsórdia, um guia gratuito que já há um ano e meio tá on-line, toda semana, com programação de cultura e diversão em BH, no mesmo embalo autônomo de dialogar com a cidade que o Vendendo e A Zica.

Agora já somos nove, fora os colaboradores de momento, agilizando os corres pra receber os conhecidos que aceitaram nosso convite, os até há pouco desconhecidos que surgiram e quem mais aparecer espontaneamente no próximo sábado lá no terceiro andar do Mercado Novo.

Se no início pensávamos grande demais, acabamos por convencer a comprar esse peixe um pessoal com igual gana criativa, esses dos links aí à direita, que toparam dar uma graninha ou emprestar itens diversos pro Vendendo Peixe acontecer, e muitos anônimos também, além de alguns que ainda estão para surgir.

Se você também curte criar com liberdade, compartilhando ideias e passeando pela cidade, aparece lá no Mercado Novo também, no sábado, 18 de setembro, das 10h às 18h. É aberto e é de graça!

Por Débora

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Ganhei Vida Onde Não Tem Preço

Categoria: Retrospectiva

Quando ajudei a organizar o Kréu Krio no Mercado Novo em 2008, durante uma semana, frequentei o terceiro andar do prédio, onde pude experienciar a efervescência de um espaço que os frequentadores de shopping center nem imaginam que poderia haver em Belo Horizonte – a Loja Grátis.

Foi muito rico quando eu, que estava ali no intuito de poder trocar idéia sobre movimentos alternativos e explicar o que era nossa proposta com o Kréu Krio, passei boa parte do tempo explicando do que se tratava para quem passava por ali e convidando para conhecer nossa exposição ou até mesmo a tal Loja Grátis – que foi a experiência mais bacana de algo que já acontecia por lá e que pude absorver para vida.

Relatava a quem chegava lá, curioso da proposta da loja que não vendia nada, que qualquer um poderia pegar qualquer coisa (no máximo três peças) e que não necessariamente era obrigado a deixar alguma coisa lá naquele momento. Cada um tinha uma reação, uns ficavam com receio, outros pediam para levar mais do que três coisas e todo mundo que levava algo, saía de lá prometendo que iria deixar umas coisas velhas lá outro dia – e não que eu estivesse cobrando isto, era apenas uma explicação.

Os trabalhadores daquele andar – em especial o seu Hildeu, que conserta lâmpadas fluorescentes, na foto acima levando uma jaqueta jeans pra esquentar – e habitués do local, sempre que podiam, passavam por ali e levavam coisas para si próprios ou seus familiares. E traziam desde discos de vinil até sucata tecnológica – passando por roupas, livros, filmes VHS e até mesmo pílula do dia seguinte.

Organizada pelo pessoal que veio do Domingo Nove e Meia e do Gato Negro a Loja Grátis foi, segundo um de seus participantes, Renato Correa, “um prolongamento do D9M, pois lá tinha a Feira Grátis durante o evento e sempre sobravam coisas. A recomendação era que quem trouxesse, levasse de volta o que sobrou, mas mesmo assim sobrava. A partir daí, pensamos que seria legal ter um espaço fixo pra isso, e já pretendíamos ter um espaço físico pra dar suporte e servir de referência pras coisas que fazíamos. Não só loja ou feira grátis, mas eventos, oficinas, biblioteca, espaço de convergências e tal. Inspirados pela loja gratis da Alemanha, pegamos a loja no Mercado Novo assim que soubemos dos espaços vazios lá através do Kasa Vazia. E a proposta do D9M era ocupar a cidade, então, a Loja Grátis ia ser um desafio novo por ser um formato diferente e mais intenso do que ocupar um viaduto no fim de semana.” A Loja Grátis deixou de existir pela falta de frequentadores, mantenedores e doadores que pudessem estimular a circulação de gente e produtos.

Conversando com a empolgada participante do Kaza Vazia e do Vacas Magras, a artista plástica Júnia May, tive o relato de uma ação denominada Trocaria & Permutaria, que ela promoveu durante o Kaza Vazia no Mercado Novo no início de 2008, antes mesmo da existência Loja Grátis. Tive sensação de que mesmo indiretamente, essa Trocaria & Permutaria pudesse ter influenciado o que aconteceria lá poucos meses depois. Num local relativamente abandonado pela ação do tempo e do pós-capitalismo, para Júnia e o pessoal anarquista, foi natural criar um espaço com esse caráter na mesma época. E essa não é a primeira tentativa de re-ativar o local, pois aconteceu ali um evento em prol da Loja Grátis em maio de 2009, que infelizmente não vingou, apesar de ter sido bem bacana.

Trocaria & Permutaria + Loja Grátis, juntas

Pedi a May que me enviasse um texto que explicasse o que era isso. Ela me enviou e considerei o texto bem relevante:

Na prática, é uma feira de trocas aberta a todos que desejam intercambiar objetos, serviços, conhecimento, arte, enfim, a todo tipo de intercâmbio que substitui o dinheiro, permitindo, ao cidadão comum, acesso a uma grande variedade de produtos e serviços. Promovendo a circulação de valores, ao invés de papel moeda, a TROCARIA & PERMUTARIA incita a substituição da acumulação e do lucro por solidariedade e cooperação, por meio da valorização do trabalho, do saber e da criatividade humana em detrimento do capital e sua propriedade. É prática de adaptação a nova consciência econômica que ganha terreno: a economia ética ou Ethonomia.

E segundo Çtalker, “trocaria é um tempo futuro do pretérito, comércio hermético e hermenêutico sem espaço para plutocracia. Hermético por levar os trocantes a compreender o sentido do valor e de seus valores, quando eles são confrontados com os dos outros. Hermético porque cada troca surge da singularidade de seu próprio sentido, na frágil e fugaz equivalência entre diferenças. Futuro porque projeta uma economia sem fetiches de abstração de tempo de vida. Pretérito porque redime todas as economias tradicionais arrasadas pela violência do ocidente. A Trocaria & Permutaria é experiência vivida sem troco.”

Daí, como no próprio site da Loja Grátis, diz:

Devido a vários fatores de organização, envolvimento, tempo e estrutura, @s envolvid@s e interessad@s decidimos fechar o Espaço de Convivencia Loja Grátis de Belo Horizonte. Já a algum tempo, ele tem tido muito pouco movimento, poucas propostas e projetos no espaço e, tambem por vários fatores, pouco envolvimento de pessoas.”

Então, ‘bora manter no Mercado Novo um lugar irradiando boas experiências? Nem que seja por uma tarde… Leve sua roupa velha, que pra maioria ainda é utilizável, um videogame que ninguém mais joga, a coleção de fitas cassette do seu velho, e volte com algo que você precisa e nem sabia, nem que seja ver isto acontecendo.

por João Perdigão

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Black Soul agita o Mercado

Categoria: Atrações, Vendendo Peixe

E ainda vai ter soul!

Bem por ali nos arredores do Mercado Novo, na Goitacazes, acontece todo sábado o Quarteirão do Soul. Começou em 2005, embora na realidade tenha nascido nos anos 70, quando os ventos do norte trouxeram o Motown Sound e o Black Power para os trópicos, onde se misturaram com o samba e outros ritmos de origem africana. Afinal, como lembra um dos entrevistados no documentário de Tomás Amaral “BH Soul”, que estreou no mês passado no Palácio das Artes: “É tudo ginga, é tudo negro, é tudo afro!”

O filme, que vale muitíssimo a pena ver, agita pés e provoca risos. Conta a história do movimento negro musical e dançante daqui de Belo Horizonte, que encontrou nos sons black norte-americanos mais um filho da mesma raiz. São histórias dos veteranos do soul que passaram a juventude dançando ao ritmo de James Brown e que hoje voltam a agitar às tardes de sábado, no Quarteirão do Soul.

No sábado, dia 18/09, o Vendendo Peixe convida os veteranos do soul a dar uns passos de dança mais alguns quarteirões, para se juntarem a nós no Mercado Novo. Dentro da programação do cine La Boquinha, escolhemos diversos filmes com temas relativos à cidade e às intervenções urbanas. Incluindo o documentário “BH Soul”, de Tomás Amaral. Mais um elogio à memória de Beagá, no dia em que celebramos no Mercado Novo a diversidade de artes e sons desta cidade.

por Manu Tenreiro

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